quarta-feira, 18 de julho de 2018

De artistas a membros da realeza, mulheres estampam cédulas e moedas ao redor do mundo

"A autoria dessa matéria é do Museu de Valores do Banco Central do Brasil e  pode ser acessada através do sítio "bcb.gov.br", publicação de 23 de junho de 2017". A transcrição tem por objetivo divulgar a imagem e as atividades do Museu de Valores, dando conhecimento de suas pesquisas e de parte do seu acervo cultural. Associação Amigos do Museu de Valores.
"​De 19 a 25 de junho, instituições culturais e museus do mundo todo participam do Museum Week, iniciativa criada em 2015 para unir um público amplo, de forma divertida e participativa, em torno de postagens temáticas no Twitter. Este ano, são sete as hashtages sugeridas: #FoodsMW, #SportsMW, #MusicMW, #StoriesMW, #BooksMW, #TravelsMW e #HeritageMW. Além disso, estão sendo incentivadas ao longo do ano postagens com a hashtag #WomenMW, em homenagem às mulheres e à igualdade de gênero.
Confira a seguir a história de figuras femininas que, pelo seu papel na sociedade, ilustraram cédulas e moedas de diversos países. Elas foram escolhidas para representar o Museu de Valores do BC na Museum Week. As peças fazem parte do acervo e algumas delas estão expostas no Museu. 

Brasil
Princesa Isabel (1846 – 1921)
No Brasil, poucas mulheres apareceram em cédulas. A primeira foi a princesa Isabel, filha mais velha de Dom Pedro II, herdeira presuntiva do trono no Brasil. Conhecida como “Redentora”, ela foi a primeira mulher a se tornar senadora. A princesa aliou-se aos movimentos abolicionistas incipientes, assinando a Lei do Ventre Livre, em 1871, que foi o primeiro passo efetivo para o fim da escravidão no Brasil – a lei estabelecia que todos os filhos de escravos estavam livres. Em 1888, durante sua terceira e última regência, assinou a Lei Áurea, que extinguia a escravidão no Brasil. Em 1889, foi instaurada a república no Brasil e a família real foi obrigada a buscar asilo na Europa. Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon passou seus últimos trinta anos de vida vivendo na França e faleceu em 14 de novembro de 1921.

 A princesa Isabel aparece na cédula de 50 cruzeiros, que circulou entre 1967 e 1972. No anverso da cédula está estampado o período de vida da Princesa Isabel (1846 – 1921) e no reverso um painel com o quadro Lei Áurea, de autoria do pintor Cadmo Fausto de Souza. Nove anos depois, em 1981, ela voltou a estampar as notas de 200 cruzeiros, que circularam até 1987. Ambas as cédulas podem ser vistas na Sala Emissões do Museu de Valores.


Cecília Meireles (1901 – 1964)
A poetisa, pintora, educadora e jornalista brasileira é considerada uma das vozes líricas mais importantes da literatura de língua portuguesa. Aos nove anos, ela começou a escrever poesia. E, em 1919, aos 18 anos de idade, publicou “Espectros”, seu primeiro livro de poesias, um conjunto de sonetos simbolistas. Em 1934, ela fundou a primeira biblioteca infantil do Brasil, localizada no Rio de Janeiro, que durou quatro anos. Cecília publicou mais de 50 livros, envolvendo poesias e ensaios, e atuou em outros meios, como o teatro. Em 1963, ela recebeu o Prêmio Jabuti de Poesia pelo livro "Solombra", concedido pela Câmara Brasileira do Livro. Em 1965, recebeu o Prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra, concedido pela Academia Brasileira de Letras.
Após sua morte, recebeu como homenagem a impressão de uma cédula de 100 cruzados novos, que foi lançada pelo Banco Central, no Rio de Janeiro, em 1989. Durante o governo de Fernando Collor de Melo, quando houve troca da moeda, o valor foi mudado para 100 cruzeiros, o que justifica algumas cédulas estamparem um carimbo de 100 cruzeiros. No reverso, a gravura à esquerda representa o universo da criança, suas fantasias e o momento da leitura e da aprendizagem. O painel é completado, à direita, com a reprodução de desenhos de autoria da escritora, representativos, especialmente, de seus estudos e pesquisas sobre folclore, música e danças populares. A cédula pode ser vista na Sala Emissões do Museu de Valores.

A Baiana
Em 1994, a nota de 50.000 cruzeiros reais apresentava a Baiana no seu anverso. No reverso, ela aparece com traje de festa preparando acarajé. Essa cédula foi a última a entrar em circulação antes do Plano Real. Circulou por apenas cinco meses (de março a setembro). A figura da "Baiana", característica da tradicional cidade de Salvador, na Bahia, é de origem africana, em grande parte das nações jeje, haussá e nagô-ioruba, trazidas para o Brasil pelo tráfico de escravos nos ciclos da Costa da Mina e do Golfo de Benin. Ela teve seu passado marcado pela escravidão, à qual o espírito de seu povo se opôs, resistindo às influências culturais e formando movimentos revolucionários.
No anverso da cédula, ao lado da figura da Baiana, figuram alguns amuletos, de origem africana ou de inspiração brasileira, que servem de proteção contra o azar. A romã e o cacho de uva significam fecundidade; a figa de madeira e os dentes de animais são os bons "fados" que fecham o corpo; o caju simboliza a abundância; e o peixe, o cordeiro e as pombas do Espírito Santo resultam do sincretismo com o catolicismo.

Mundo
Nefertiti (Egito, 1380 – 1345 a.C.)
A pequena cédula, de dimensão de 95 X 57 mm, de 5 piastras, que circulou no Egito entre 1998 e 1999, apresenta a rainha Nefertiti no seu anverso. A imagem foi inspirada no busto de Nefertiti, encontrado em 1912 em Amarna (chamada anteriormente de Aquenaton – capital do Antigo Egito). A escultura é também designada como o "busto de Berlim" em função de se encontrar exposto, atualmente, no Neues Museum, na capital alemã. A peça mede 50 cm de altura, tratando-se de uma obra inacabada. Prova disso está no olho esquerdo da escultura, que não tem a córnea incrustada, ainda que muitos estudiosos afirmem que esta característica tenha sido delimitada propositalmente pelo escultor que a concebeu. Desde a sua alocação na Alemanha, autoridades egípcias têm pedido seu retorno ao Egito.

Rainha da XVIII dinastia do Antigo Egito, seu nome significa “a mais bela chegou”, e ela foi casada com o faraó Amenófis IV, conhecido como Aquenáton. Os dois foram responsáveis por substituir o culto politeísta pela reverência a um deus único, o rei-sol Aton, causando uma revolução religiosa no país. Com seu marido, a “Rainha do Nilo”, como também era conhecida, reinou no que foi considerado o período mais rico da história do Antigo Egito. Após o término desse reinado, Nefertiti sumiu misteriosamente, o que levou alguns arqueólogos a estimarem que ela tenha morrido no ano de 1345 a.C.


Marie Curie (Polônia, 1867 – 1934)
Nascida em Varsóvia em 1867, mudou-se para a França em 1891, onde se formou em física e matemática pela Universidade de Paris (Sorbonne). Naturalizada francesa, conduziu pesquisas pioneiras no ramo da radioatividade. Marie Curie foi pioneira em muitos outros aspectos. Foi a primeira mulher a ser laureada com um Prêmio Nobel, na ocasião, um Nobel de Física, em 1903, dividido com seu marido Pierre Curie e Antoine Henri Becquerel, e foi a primeira pessoa e única mulher a ganhar o prêmio duas vezes – o segundo, Prêmio Nobel de Química, veio em 1911. Foi também a primeira mulher a ganhar o título de doutora pela Universidade de Paris, além de ser admitida como professora na mesma universidade e de ser enterrada por méritos próprios no Panteão de Paris.

Marie Curie homenageou seu país de origem nomeando Polônio o primeiro elemento químico que descobriu. Ela também foi responsável pela descoberta do Rádio (nome dado devido à sua intensa radiação). As conquistas de Marie incluem a teoria da radioatividade (termo que ela mesma cunhou), e técnicas para isolar isótopos radioativos. A cientista fundou os Institutos Curie em Paris e em Varsóvia, que até hoje são grandes centros de pesquisa médica. Durante a Primeira Guerra Mundial, fundou os primeiros centros militares no campo da radioatividade. Sua filha mais velha, Irène Joliot-Curie, recebeu o Nobel de Química de 1935, ano seguinte à morte da mãe, tornando os Curies a família que mais ganhou prêmios Nobel. Em 1934, Marie faleceu de leucemia, devido, possivelmente, à exposição maciça a radiações durante o seu trabalho.
Em 2011, no centenário do recebimento do Nobel de Química, Marie Curie foi homenageada na cédula comemorativa para colecionadores de 20 Zlotych, que teve impressão de 60 mil unidades. Sua imagem, juntamente à forma do edifício da Universidade de Paris (Sorbonne), estampa o anverso da cédula. No reverso estão a medalha do Prêmio Nobel, a imagem da sede do Instituto Radium, em Varsóvia, e uma citação do discurso sobre o elemento rádio, que dizia: “Eu detectei o Rádio, mas não o criei; a glória não pertence a mim, mas é propriedade de toda humanidade”.

Frida Kahlo (México, 1907 – 1954)
A pintora mexicana teve uma vida marcada por diversas tragédias: na infância teve poliomielite, que lhe deixou com um dos pés atrofiados e uma perna mais fina que a outra; e em 1925 quase morreu num grave acidente de bonde, que a deixou vários meses de cama, com diversas sequelas e problemas de saúde que perduraram por toda a vida. Durante o longo período de recuperação, começou a pintar na cama com um cavalete adaptado. Em 1928 entrou para o Partido Comunista e conheceu Diego Rivera, com quem teve um relacionamento conturbado. Em 1939, Frida Kahlo teve sua primeira exposição individual em Nova York. Sucesso absoluto, logo depois realizou exposições em Paris, onde conheceu artistas como Pablo Picasso, Kandinsky, Marcel Duchamp, Paul Eluard e Max Ernst. Frida foi a primeira pintora mexicana a ter um de seus quadros expostos no Museu do Louvre. Apenas em 1953, um ano antes de sua morte, no entanto, ela conseguiu realizar uma exposição de suas obras na Cidade do México. Frida foi encontrada morta em 1954. Durante toda a vida, pintou 143 telas.

Em 2010, Frida e Diego Rivera foram homenageados na cédula de 500 pesos mexicanos. No anverso, é possível ver o autorretrato do muralista Diego, com um fragmento de sua obra "Desnudo con Alcatraces", três pincéis e uma paleta, representando os instrumentos que utilizava para criar suas obras de arte. No reverso da cédula, um autorretrato da pintora Frida Khalo, acompanhado por uma de suas obras "El abrazo de amor del Universo, la tierra, (México), yo, Diego e el Señor Xólotl".

Indira Gandhi (Índia, 1917 – 1984)
Indira foi a primeira mulher a ocupar o cargo de chefe do governo indiano, sendo primeira-ministra da Índia por 3 mandatos consecutivos, de 1966 a 1977, além de servir um quarto mandato, de 1980 até 1984. Filha de Jawaharlal Nehru (que foi o primeiro primeiro-ministro da Índia), foi responsável pelo sucesso da Índia no conflito com o Paquistão, em 1971, com apoio dos EUA e, consequentemente, pelo desenvolvimento nuclear do país, em 1974. Em 1975, foi acusada de práticas ilegais na campanha. Para se manter no poder, decretou, de forma controversa, estado de emergência, o que a possibilitou governar com amplos poderes, conseguindo ficar no poder até 1977, quando perdeu as eleições. Em 1980, conseguiu novamente se eleger, época em que os conflitos religiosos entre hindus e sikh se agravavam cada vez mais. Em 1984, ela ordenou a Operação Estrela Azul, uma invasão militar ao santuário sagrado da religião sikh, que resultou em centenas de mortos. Tal operação elevou o ódio desses religiosos. Em outubro de 1984 ela foi assassinada por dois de seus guarda-costas, que pertenciam àquela religião. Apesar de ter o mesmo sobrenome, Indira não possui parentesco com Mahatma Gandhi, indiano que lutou pacificamente pela independência do país.

Indira Gandhi foi representada em 4 moedas: a comemorativa de 100 rúpias, em prata; a comemorativa em cuproníquel de 20 rúpias, e as moedas de giro de 50 e 20 rúpias, também de cuproníquel. As moedas possuem no seu anverso, no centro, a imagem das armas da Índia (leão de asuoka) ladeada pela inscrição “rupias indianas”, em inglês e em caracteres locais. Abaixo, o valor respectivo. No reverso, no centro, vê-se a efígie de Indira, ladeada pela inscrição de seu nome em inglês e em caracteres locais. Abaixo, a data do nascimento e da morte da homenageada (1917-1984). Todas elas datam de 1985 e podem ser vistas na Sala Mundo do Museu de Valores.

Eva Péron (Argentina, 1919 – 1952)
A nova cédula de 100 pesos argentinos, lançada em 2012, estampa o rosto de Eva Perón, em homenagem ao aniversário de 60 anos de sua morte. A nova cédula coexiste com a antiga que carregava o retrato de Julio Argentino Roca. Quando a cédula entrou em circulação, muitos não acreditaram na veracidade da nota. A presidente teve que se pronunciar, dizendo que as cédulas eram verdadeiras e deveriam ser aceitas. Foi aberta, inclusive, uma ouvidoria para receber denúncias de comerciantes que não estariam aceitando a nota.
María Eva Duarte de Perón, conhecida como Evita, foi uma atriz e líder política argentina. Tornou-se primeira-dama da Argentina quando o general Juan Domingo Perón foi eleito presidente. Em um determinado momento, ofuscou a figura de seu marido e tornou-se uma das mulheres mais influentes e queridas da história da Argentina. Evita se engajou na luta pelos necessitados, através da Fundação Eva Perón, onde trabalhava mais de 18 horas por dia distribuindo alimentos, roupas, construindo hospitais, escolas, lares para mães solteiras e asilos para idosos. Além disso, enquanto primeira-dama, criou o Partido Peronista Feminino e lutou pelo direito a voto às mulheres, que foi consagrado em 1947. Assim, Evita conquistou a simpatia da camada mais baixa da população com sua política populista, enquanto era atacada pela oposição.

Rainha Elizabeth II (Inglaterra, 1926)
A atual rainha do Reino Unido é a mulher que mais apareceu em cédulas e moedas do mundo. Isso se deve às inúmeras colônias britânicas espalhadas pelo globo. Apenas no acervo do Museu de Valores, há peças de mais de 25 países. Cinco deles podem ser vistos na Sala Mundo: Ilhas Fiji, Austrália, Canadá, Nova Zelândia e Reino Unido. Guardados em casa forte, mais vinte países: Bahamas, Bermudas, Jamaica, Bornéu, Rodésia, Trinidad e Tobago, Caribe, Gâmbia, Ilha de Man, Hong Kong, Gibraltar, Chipre, Seicheles, Ilhas Virgens Britânicas, Ilha de Santa Helena, Ilhas Maurício, Ilhas Salomão, Nigéria, Malásia e Zâmbia.

Elizabeth II nasceu em 21 de abril de 1926 e é a monarca com o reinado de maior longevidade na história do Reino Unido, e a mulher viva há mais tempo no trono. No mundo todo, ela está apenas atrás do Rei Bhumibol Adulyadej, da Tailândia, que já apareceu em matéria da coluna Dinheiro do Mundo. Este ano, ela completará 90 anos de idade.
Em 2012, a rainha recebeu o Jubileu de Diamante, marcando 60 anos de ascensão ao trono. Filha mais velha do Duque de York, era a terceira na linha de sucessão do trono britânico durante o reinado de George V, seu avô. Após a morte deste e com a renúncia de seu tio ao trono, seu pai tornou-se o rei George VI, e ela, herdeira presuntiva. Tornou-se rainha em 1952, aos 25 anos, com a morte de seu pai, tornando-se Chefe da Comunidade Britânica e rainha de diversos países. Entre 1956 e 1992, o número de regiões sob comando da Inglaterra variou, já que certos territórios ganharam sua independência e outros tornaram-se repúblicas. Atualmente, Elizabeth também é rainha dos Reinos da Comunidade de Nações, ou seja, de estados independentes como a Jamaica, Barbados, Bahamas, Granada, Papua-Nova Guiné, Ilhas Salomão, Tuvalu, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Belize, Antígua e Barbuda e São Cristóvão e Nevis, Canadá, Austrália e Nova Zelândia.

*As informações dessa matéria foram baseadas em pesquisa do sistema acervo do Museu de Valores, e complementadas com informações de sites como Exclusive Coins, Folha, Infoescola, Estadão, entre outros.

O acesso ao Museu é gratuito, sendo apenas necessária apresentação de documento oficial de identificação com foto, exigência dispensada a menores acompanhados pelos responsáveis."

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